Tive um sonho. Estava numa colina, na qual via meus filhos, meus netos, meus pais, sogros. Então, também me via junto com meu companheiro. Na tranquilidade de minha maturidade via meus netos correndo, felizes, saudáveis. Pequenos instrumentos musicais compunham o cenário. Cantores mirins formavam um coral. Mais além, pequenas enxadas e ancinhos trabalhavam num pomar, outros num jardim. Toda esta paisagem formava um lindo arco-íris formado por todas as raças. E parecia um sonho dentro do meu sonho. O som da música, das pás, do serrote numa mini marcenaria formavam uma orquestra que tinha o amor como compasso principal, a solidariedade como tom maior, a igualdade como clave universal.
Virei-me bem devagar junto com meu companheiro e vimos os nossos e outros filhos com os olhos fixos nos seus e nos filhos de todos. Estavam felizes! Realizados emocional e profissionalmente. Lutavam por ser ainda melhores, mas não tinham a preocupação do desemprego, da fome, da miséria da ausência do lazer. O trabalho manual e intelectual se complementavam. Eram cidadãos de um país fantástico.
Então nossos olhos procuraram a sabedoria e encontramos os nossos e todos os mais velhos que nós. As lágrimas caíam mas nossos lábios sorriam. Víamos nosso futuro não tão distante e já não tínhamos medo!
Ao som do forró, da valsa, do bolero e do rock, casais se juntavam e, ritmados, aquela massa humana formou um corpo de baile belíssimo.
Subimos num pequeno morro. Nossas vistas alcançaram longe. Como num oceano, cabeleiras brancas, outras pintadas, imitavam as ondas no vai e vem do mar.
Fixamos nossa visão nos rostos. O tempo deixou-os com rugas, afora algumas plásticas. Eram as rugas da história de vida de cada um. Elas resumiram o conhecimento, a experiência, as dores e as alegrias do passado de cada um. Mas era a vida em sua plenitude. Viúvos e viúvas reencontrando o amor e carinho. Casais antigos revendo o passado, o momento atual de suas vidas e vendo a continuidade do futuro nas crianças.
Não havia angústia, medo ou solidão.
Não havia discriminação e isolamento
Havia consideração, respeito e muito amor.
*Escrito por Inês Albuquerque Pupo
um lugar exógeno dentro de mim pra nunca ter que lembrar de todas as palavras que cabem numa só sentença: assim.
22 de dezembro de 2009
15 de novembro de 2009
Pedras (preciosas) do caminho
Uma linha de ouro me envolve
de proteção e luz ela se faz
Lembrando-me de conexões antigas, tão minhas
De caminhos longos vividos, peregrinos espaciais,
aprendizes do futuro, sempre iluminado
tanto pela força do que será (o eterno destino),
quanto pela fé que se tem, pela crença que,
de tijolinho em tijolinho se constrói em nosso ser -
fortaleza essencial, essência moral pois que nos
alinhamos ao que somos - Eus Divinos.
Recuperemos, à serviço de trabalhos maiores,
nossas dignidades perdidas e um dia esquecidas
e largadas num canto qualquer. Retomemo-nas,
alinhando nossas mentes para não nos perdemos
na trilha dessa procura.
Viva nós,
Viva tudo.
Viva a vida e o mundo.
de proteção e luz ela se faz
Lembrando-me de conexões antigas, tão minhas
De caminhos longos vividos, peregrinos espaciais,
aprendizes do futuro, sempre iluminado
tanto pela força do que será (o eterno destino),
quanto pela fé que se tem, pela crença que,
de tijolinho em tijolinho se constrói em nosso ser -
fortaleza essencial, essência moral pois que nos
alinhamos ao que somos - Eus Divinos.
Recuperemos, à serviço de trabalhos maiores,
nossas dignidades perdidas e um dia esquecidas
e largadas num canto qualquer. Retomemo-nas,
alinhando nossas mentes para não nos perdemos
na trilha dessa procura.
Viva nós,
Viva tudo.
Viva a vida e o mundo.
11 de novembro de 2009
Sopa das letrinhas
Minha fome de palavras
atravessa dicionários,
mas muito pouco se alimenta deles
Meio vazia de letras,
não é saciada nem com os mais exóticos alfabetos
Minhas frases trêmulas
não sentenciam-se
em métricas matemáticas
Elas nem sabem ao certo o que é uma gramática
Meus escritos alterados
partem dos garranchos sem pauta
marcam no papel idéias caóticas
E se alicerçam
como edifícios sujeitos a terremotos.... catastróficos.
atravessa dicionários,
mas muito pouco se alimenta deles
Meio vazia de letras,
não é saciada nem com os mais exóticos alfabetos
Minhas frases trêmulas
não sentenciam-se
em métricas matemáticas
Elas nem sabem ao certo o que é uma gramática
Meus escritos alterados
partem dos garranchos sem pauta
marcam no papel idéias caóticas
E se alicerçam
como edifícios sujeitos a terremotos.... catastróficos.
2 de novembro de 2009
Em tempo
Tenho tudo o que quero,
Luz na cozinha, tantas presenças...
Ingredientes para a janta,
Seu tempero adocicado, mais acertado
Barriga satisfeita, o pensar correto
Duas mãos livres e inteiras,
Inteiramente livres
A vida pra viver o movimento
Sentir o espaço, fluir com o tempo
Luz na cozinha, tantas presenças...
Ingredientes para a janta,
Seu tempero adocicado, mais acertado
Barriga satisfeita, o pensar correto
Duas mãos livres e inteiras,
Inteiramente livres
A vida pra viver o movimento
Sentir o espaço, fluir com o tempo
25 de outubro de 2009
Meus, tão eus meninos
Mas foi assim, deitei os olhos.
Fui lá no meu menino, longe pra ver como é que foi.
Naquilo que era o meu presente, eu, pela lente dele,
via claro, via nítido, via sim. Via o desenrolar do rolo velado.
Naquele momento ali, passado era presente no futuro.
Então ao menino representeei. À mim, me recoloquei.
Ao menino então lancei: “Ei, menino, caminhe à frente” –
como num espelho, eu caminho cá tu caminha rente.
Nas costas dum espelho espelhado tu caminha cá, eu caminho rente.
Ninguém sabe ninguém nunca viu, qualé que é eu, qualé que é tu.
No passado tu - tá presente eu, no futuro eu - tá presente tu.
Qualquer é tu, qualquer sou eu. No tracejado reto
do plano espelhado, qualquer imagem é objeto, de qualquer
jeito eu sou tu e tu sou eu.
Fui lá no meu menino, longe pra ver como é que foi.
Naquilo que era o meu presente, eu, pela lente dele,
via claro, via nítido, via sim. Via o desenrolar do rolo velado.
Naquele momento ali, passado era presente no futuro.
Então ao menino representeei. À mim, me recoloquei.
Ao menino então lancei: “Ei, menino, caminhe à frente” –
como num espelho, eu caminho cá tu caminha rente.
Nas costas dum espelho espelhado tu caminha cá, eu caminho rente.
Ninguém sabe ninguém nunca viu, qualé que é eu, qualé que é tu.
No passado tu - tá presente eu, no futuro eu - tá presente tu.
Qualquer é tu, qualquer sou eu. No tracejado reto
do plano espelhado, qualquer imagem é objeto, de qualquer
jeito eu sou tu e tu sou eu.
17 de outubro de 2009
Pintura de parede
Já eu, não. Queria é ter uma casa de papel de algodão.
Aí eu pudesse, por todos os pontos seus poros
aquarelar de cor tinta azul, a parede como o teto anil do céu
Então eu mesmo pintaria toda gaivota bonita
voando com o sopro do vento na aba do chapéu
Aquarelar
Aqua rega escorrega
passarela de tinta
espraiando pelo ar...
Aí eu pudesse, por todos os pontos seus poros
aquarelar de cor tinta azul, a parede como o teto anil do céu
Então eu mesmo pintaria toda gaivota bonita
voando com o sopro do vento na aba do chapéu
Aquarelar
Aqua rega escorrega
passarela de tinta
espraiando pelo ar...
15 de outubro de 2009
Desta criança que se fala
Deixo minha vida com ela:
mais sagaz e esperta,
essa minha criança paralela...
Vem comigo às vezes antes,
deveras mais adiante.
Meu destino é chegar nela
o dela é pegar em minha mão
com a sua pequenina e me guiar
pelos cantos bonitos, me mostrar
preciosidades quase escondidas pelo chão
somos como duas retas,
hoje ladeadas,
em breve bem coladas.
farei dela um bocado mais eu
farei, deste eu, um capricho da vida bela.
mais sagaz e esperta,
essa minha criança paralela...
Vem comigo às vezes antes,
deveras mais adiante.
Meu destino é chegar nela
o dela é pegar em minha mão
com a sua pequenina e me guiar
pelos cantos bonitos, me mostrar
preciosidades quase escondidas pelo chão
somos como duas retas,
hoje ladeadas,
em breve bem coladas.
farei dela um bocado mais eu
farei, deste eu, um capricho da vida bela.
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