26 de julho de 2010

Presto Sim

Sim, presto sim.
presto continência
a todos os emblemas.
ditos cujos, vossas execelências...

ah, duvide disso não
que pois inté mesmo
quem acha que não, já viu
de perto um corpo maior
e sem pestanejar,
num raio de segundo,
arvorou costume novo...
Rá, de imediato!

14 de março de 2010

Dias de Vento

Tem dias que,
mesmo sem querer,
damos passagem
ao vento amigo que,
suave, carrega pra
longe de nós angústias,
inseguranças e até
mesmo os menores
e propositadamente
escondidos - e por
isso deveras nocivo,
medinhos da vida.

E leves, respiramos o ar
envolto que nos graça...

Como a brisa da noite
que penera a areia fina
da praia, nos refazemos
de novos pensamentos
(aqueles que não tem peso)
perdoados pela convicção,
que nos é muito própria,
da necessidade
daquelas transformações
que cotidianamente
solicitam-nos atenção.

4 de março de 2010

Viagens de Sertão

Hoje desembocou um bocado de memórias do sertão, que falando-me desde setembro passado, só encontrei jeito de dizê-las agorinha há pouco....

Naquela manhã
foi-se o vento da discórdia
que sempre passava
assustando o vilarejo.

Naquela manhã,
foi-se o tempo de cólera
que há muito não o abandonava

Naquele dia,
viu-se uma margarida
em festa clara, pelo vale todo
E ele, enluarado fazia-se pasto...
não de capim, nem de arado,
mas de uma fome sertaneja
que encobria-nos até as cabeças
não saciava-se de pão e nem de girimum,
nem virando a panela ao avesso

Essa fome era das noites do sertão
do banquinho da fogueira,
da brasa de um coração
de uma festa mateira
que corria solta, sem estribeira
no cancioneiro do peito
da viola de um violeiro.

Por essas casas marcam-se histórias,
delas todas, dores, tristezas e festejos
que não se desbotam - como o pasto,
que mesmo marcado, judiado de seca,
não se ressente da estiagem nem
da quentura dos longos dias
e rebrotava firme e vigoroso
assim que no céu a nuvem surgia

Não há jeito de se esquecer,
marca de memória tem registro forte,
profunda na gente a maneira de ser
tantas vezes mais doído que
gado marcado, ferrado a fogo.

O fogo das lembranças, é que
ela queima e arde, talhando
na alma as coisas muito nossas,
lambendo tudo e fagulhando desde
dentro pelo miolo do íntimo,
sem nem mesmo a gente se aperceber..

Mas basta a sobriedade da coragem
de tudo isso querer ver, re-esculpir
pra fazer do fogo das lembranças
formão de aparador, desbastando e
desvelando tudo aquilo que o sonho da noite,
claro como a luz do dia,
há tempos já nos indicou.


slide antigo do padrinho fernando, retrato de uma viagem do passado

22 de dezembro de 2009

Minha mãe a sonhar*

Tive um sonho. Estava numa colina, na qual via meus filhos, meus netos, meus pais, sogros. Então, também me via junto com meu companheiro. Na tranquilidade de minha maturidade via meus netos correndo, felizes, saudáveis. Pequenos instrumentos musicais compunham o cenário. Cantores mirins formavam um coral. Mais além, pequenas enxadas e ancinhos trabalhavam num pomar, outros num jardim. Toda esta paisagem formava um lindo arco-íris formado por todas as raças. E parecia um sonho dentro do meu sonho. O som da música, das pás, do serrote numa mini marcenaria formavam uma orquestra que tinha o amor como compasso principal, a solidariedade como tom maior, a igualdade como clave universal.

Virei-me bem devagar junto com meu companheiro e vimos os nossos e outros filhos com os olhos fixos nos seus e nos filhos de todos. Estavam felizes! Realizados emocional e profissionalmente. Lutavam por ser ainda melhores, mas não tinham a preocupação do desemprego, da fome, da miséria da ausência do lazer. O trabalho manual e intelectual se complementavam. Eram cidadãos de um país fantástico.

Então nossos olhos procuraram a sabedoria e encontramos os nossos e todos os mais velhos que nós. As lágrimas caíam mas nossos lábios sorriam. Víamos nosso futuro não tão distante e já não tínhamos medo!

Ao som do forró, da valsa, do bolero e do rock, casais se juntavam e, ritmados, aquela massa humana formou um corpo de baile belíssimo.

Subimos num pequeno morro. Nossas vistas alcançaram longe. Como num oceano, cabeleiras brancas, outras pintadas, imitavam as ondas no vai e vem do mar.

Fixamos nossa visão nos rostos. O tempo deixou-os com rugas, afora algumas plásticas. Eram as rugas da história de vida de cada um. Elas resumiram o conhecimento, a experiência, as dores e as alegrias do passado de cada um. Mas era a vida em sua plenitude. Viúvos e viúvas reencontrando o amor e carinho. Casais antigos revendo o passado, o momento atual de suas vidas e vendo a continuidade do futuro nas crianças.

Não havia angústia, medo ou solidão.
Não havia discriminação e isolamento
Havia consideração, respeito e muito amor.


*Escrito por Inês Albuquerque Pupo

15 de novembro de 2009

Pedras (preciosas) do caminho

Uma linha de ouro me envolve
de proteção e luz ela se faz
Lembrando-me de conexões antigas, tão minhas
De caminhos longos vividos, peregrinos espaciais,
aprendizes do futuro, sempre iluminado
tanto pela força do que será (o eterno destino),
quanto pela fé que se tem, pela crença que,
de tijolinho em tijolinho se constrói em nosso ser -
fortaleza essencial, essência moral pois que nos
alinhamos ao que somos - Eus Divinos.

Recuperemos, à serviço de trabalhos maiores,
nossas dignidades perdidas e um dia esquecidas
e largadas num canto qualquer. Retomemo-nas,
alinhando nossas mentes para não nos perdemos
na trilha dessa procura.

Viva nós,
Viva tudo.
Viva a vida e o mundo.

11 de novembro de 2009

Sopa das letrinhas

Minha fome de palavras
atravessa dicionários,
mas muito pouco se alimenta deles

Meio vazia de letras,
não é saciada nem com os mais exóticos alfabetos

Minhas frases trêmulas
não sentenciam-se
em métricas matemáticas
Elas nem sabem ao certo o que é uma gramática

Meus escritos alterados
partem dos garranchos sem pauta
marcam no papel idéias caóticas
E se alicerçam
como edifícios sujeitos a terremotos.... catastróficos.

2 de novembro de 2009

Em tempo

Tenho tudo o que quero,
Luz na cozinha, tantas presenças...
Ingredientes para a janta,
Seu tempero adocicado, mais acertado
Barriga satisfeita, o pensar correto

Duas mãos livres e inteiras,
Inteiramente livres
A vida pra viver o movimento
Sentir o espaço, fluir com o tempo